Qual foi o primeiro branco na horda de gregos que escreveram como se pensa? "Penso logo existo". O “pensar" quando colocado como ação, deixa de ser verbo pra se tornar adjetivo. Existir passa ser adjetivo. Qualidade. Algo que se obtem, tem ou contrai. Ou paga. Acesso. Existir é um acesso. Mas quem que não pensa? A gente vê o que não existe?

Os ingleses depois inventaram um jeito de enfiar todos os povos na mesma horda de novo. Um livro-coletânea completíssimo sobre como existir. Sobre como pensar. Era como se o pensamento fosse uma maçã proibida, ou uma maçã envenenada como disse a disney. Ali na maça tava o segredo da existência. Quem mordesse a porra da fruta tava fodido. Foi uma boa jogada essa da maçã. Mas a curiosidade mata os gatos, e a noite todos os gatos são pretos.

O Norte catalogou polegares e cérebros, pra poder fazer da existância uma pré monopolização do sul. Tudo que tá no sul.  Aonde tá o hemisfério mesmo? Que diz pra onde é norte e pra onde é sul? Plano cartográfico. Um plano pra planificar a vista e botar o máximo de pessoas na base da pirâmide virada pro norte. Albers, Peters, Miller, Berhmann, Ekhert e vários nomes desimportantes desenharam mapinhas q diziam pra onde eram norte e pra onde era sul. Provavelmente todos eram brancos. Talvez um tal de Robinson, dito "pseudo-cilíndrico", também considerado "afilático". Afilaxia. "Ausência de imunidade". Robinson por seu nome bem brasileiro podia não ser branco. Mas não são dele os mapas no google. E tanto de Porto Alegre quanto do Rio de Janeiro, eu vejo a Africa no meio.

A Africa sempre ficou no meio. Não tá no oriente nem tá no ocidente. Ta no sul e no norte ao mesmo tempo e tá dentro. Pra dentro da terra de onde explodem as espinhas da crosta. Ta ali estática e gigante. Bem no meio, como um grande segredo berrante. Mas no ensino médio as paginas sobre a Africa tão sempre no final. Ela é lembrada depois de ter sua repangéia forçada goela a baixo, e vomitada na América. Nevagações. Só se sabe do pensar da Africa por parte dos que já sairam dela. Uma vez um moço senegalês me disse "Eu não vim de navio pra cá, eu vim de avião".

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Bessie Coleman - primeira pilota negra licenciada nos EUA 1921

Num enxamezinho de fungos no Norte, gregos tomavam vinho na praça e discutiam a vida, como aqui fazem a adolescência de cidades pequenas. Tinha um fungo já de homo sapiens ali resolvendo prescrever o pensar. A bula metafórica pra todo ser bípede. 

Mas do outro lado da mesma ilhazinha mofada, também tinha outra comida apodrecendo, com seus insetos chegando para o banquete. Roma queria poder. "Querer não é poder " sempre disse minha mãe. Domar o pensamento alheio é poder? Domar a existência é poder querer? Quem não quer comer a maçã no final? Aonde o filme daria sem a cobra? Cogito ergo sum. Cogitar perigoso, a humanidade é perigosa.

e se a Branca de Neve fosse preta? Seria ela a Preta de Terra? Ofereceriam a maçã pra ela?

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Do outro lado da linha que alguém escreveu e ninguém Descartou, havia um pensar. Alguém já existia . Como que se doma o pensamento que já existe? E onde agt põe o pensamento domado? Onde que a gente enfia a existência depois que ela começou a pensar? "Se a minha cabeça só se encaixa no meu pescoço, qual é a caixa que cabe o meu espaço?".

Dizem que a memória é o que define a presença de consciência. Mas faz menos de 20 anos que a internet existe. A internet existe pra contemplar a memória? Ou tá mais pra um publicidade desesperada? Um mercado psicossomático e exponencial? A memória é registro e os slots são biológicos. Mas se existir é um acesso, que memória existe na internet? O cheiro no wifi impregna as lacunas deixadas nos livros de história do ensino médio. E multiplicar essas paginas para dentro de outros biomas. Como disse Mano Brown "O negro hoje quer falar de outras coisa".

Trilha e versão: Saskia Peter

Os zapatistas também usaram a internet como arma, contra os "domadores", pra informar o povo e derrubar o governo. Procurei no google pra ver se Emiliano Zapata era negro. Tem isso né,  a gente não sabe mais olhando. O colorismo amedronta mas sempre puxa o pé da curiosidade. A curiosidade mata os gatos, e a noite todos os gatos são pretos. Eu não poderia dizer se Emiliano era ou não era negro, também não sei se isso é obvio. Ele poderia me dizer o contrario em qualquer uma das conclusões. Apareceu uma foto da Marielle Franco quando eu procurei pelo Emiliano Zapata.

México, lá dizem que não tem negros. Dizem também que não tem negros no sul do Brasil. O México também teve seu pensamento domado. Lá escravizaram o povo indígena. Diz aqui que Zapata não era "indígena puro". Diz aqui que ele era "mestiço".  Acredito que as Américas são a grande alquimia do misticismo então. Quem não é mestiço aqui? Quem é puro? "Mulato vive, mulato morre; corpo a corpo preto"

Aqui no Brasil os indígenas foram sorrateiramente silenciados. O português é mais cheios de palavras né? Aqui não se é direto ao apagar dados, apagar memórias. Os indígenas aqui estão perdendo o "acesso" à existência.

"Atravessou o português
se fez de loco pra passar bem

bem longe

bem longe de falar Brasilês

atravessou o português

passou

queimando o pasto

pro Tupi pastar

pasteurizando o Sabiá

bem longe

bem longe de falar Brasilês"

Ticuna , Macuxi, Terena, Caingangue, Guarajara, Xavante, Ianomâmi, Pataxó, Potiguara, Tupi, Guarani.

do barranco

da praia

do campo

laranjeira

ferreiro

una

coleira

pimenta

ponga, 

piranga, 

coca, 

gongá,

laranja, 

piranga,

poca, 

amarelo, 

ponga,

barriga-vermelha

peito-roxo

cabeça preta

/característica do Sabiá Brasileiro: Adaptar o seu canto./

 

Nativos aqui estão tendo que revindicar os corpos dos seus filhos mortos no hospital. Como que se esconde o que existe? O corpo que para de pensar, o corpo que morre, ele deixa de existir também?

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Sabiá-da-mata / Sabiá-bicolor / Caraxué-de-bico-preto / Sabiá-preto / Sabiá-castanho / Sabiá-ferreiro / Foto: Ilustração Tomas Sigrist

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Mas Zapata nem chegou a conhecer o hacktivismo o cyberativismo. Ele não sentiu o cheiro do wifi nem deitou no colo da internet. Essa ferramenta de acesso a memória dos povos domados veio depois. A Marielle conheceu. Será que Marielle teria sido assassinada se ela não tivesse acesso à essa memória? Como ela saberia pensar se a maçã tivesse sido tirada dela? Marielle pensou de mais. Existir é perigoso.

Como era o existir antes da câmera frontal? E do botão "Postar?" Jornais rádios e TVs não postavam. Nem chegavam a tantas pessoas, ao mesmo tempo. Nem queriam. Marielle chegou a mim porque eu quis. Eu pude querer. Poder é querer. Eu quis ver pra onde os botões dela apontavam. Bem depois de apontarem as armas na cara da memória dela.

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e agora como gatilho deixo esses links aqui porque vai saber...

Não Há Morte

Vzyadoq Moe

DOLE - Saskia ft. AnaGiselle
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ÉLE SEMOG: ALUCINAÇÕES
Um preto caiu na esquina
e dois pretos o levantaram
foram simbora sendo três
fui atrás e me juntei

Um boi coxo
bebeu o mar
o mundo ficou
vazio
feito um coração antes do cio.

Quatro pretos
rolaram ladeiras
oito pretos também rolaram
eram doze pretos sagrados!
... não! Sangrados
doze na madrugada
que esperam doze horas
para o rabecão passar.

Um siri maluco
atacou a lua errada
sem perceber o quarto minguante virou um errante
levou uma facada.

Eram doze mulheres caladas esperando, pelo menos,
um daqueles pretos voltar.


(A cor da demanda, p. 145) 

Craveirinha: MOÇAMBIQUICIDA


Das incursões bem sucedidas aos povoados
sobressaem na paisagem as patrícias
sacarinas capulanas de fumaça
e uma fervura de cinco
tabuadas e uns onze
— ou talvez só dez —
cadernos e um giz
espólio das escolas destruídas.

Sobrevivos moçambiquicidas

imolam-se mesclados

no infuturo. 

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