Itinerário auto-reflexivo:

 

– Poucas figuras são onipresentes no ambiente cultural complexo brasileiro. Você concorda que não se constrói algo assim com coerência?

 

– “às vezes quando sinto muito mesmo, medo talvez,

fico só na Abolição, fico fechado no quarto, por só ter nascido preto / nasci do preto, pra abrigar do recomeço, a presença em questão, a questão de ser preto, o escuro e profundo caminho profundo de si mesmo / no reflexo do espelho do banheiro, sempre na manhã seguinte, quando deve-se ir ao trabalho, há uma luz q colore o cabelo que não nega, sempre na manhã seguinte,

por só ter nascido preto, pra preferir Abolição.”

Wilson Batista x

Noel Rosa

– Guanabara da Piedade, onde Euclides dos Sertões

foi assassinado.

 

– Baile da Árvore Seca, 17 anos.

– Mangueira, inúmeras memórias, Prata, 3 Tombos, Buraco Quente, Candelária, Casinhas, show do Racionais MC’S, Baile do Buraco... 16 anos,

Engenho de Dentro, Zumbi do Mato, Méier,

Jardim do Méier, Norte Shopping, arquivo médico

do hospital Pedro Ernesto, Jardim América…

 

– Jacarezinho, avião. Manguinhos, Mandela, Fiocruz, Penha, Juramento, Vicente de Carvalho, Largo do Bicão, 629, 630, 621, 622, 260, 247, 457, praia, Praça Belizário Pena, IAPI da Penha, Olaria, Carnaval da Cinelândia, 7 anos, jogo do bicho, Benfica, cola de sapateiro, 16 anos, Lapa, sinuca, Garage, Bar dos

Punks, Rua Ceará, Escadaria do Selarón, 2000, 2001, 2002... Zona Sul.

 

– E deixo pra vcs essa provocação: o filme “Compasso de Espera”, de Antunes Filho, do qual Zózimo Bubul aproveitou rolos pra fazer “Alma no Olho”.

SEM TÍTULO II

Duas mulheres na fila de banco.

Uma lê, escreve e veste-se bem.

A outra não lê, não escreve, veste.

A primeira, aquela que lê, escreve e veste-se bem,

fala pela segunda que não lê, não escreve, apenas veste.

A segunda, aquela que não lê, não escreve, veste o que primeira diz; concorda, faz gestos ritmados com a cabeça.

A primeira, a que lê e escreve, marca, aceleradamente,

sua passagem à caneta, enquanto a segunda, sem pressa,

vai deixando polegadas como impressão.

(Jussara Santos, De flores artificiais, p. 35) 

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the autobiography of malcom x

CírculosSaskia
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O Negro é o povo no Brasil

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